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	<title>Opinião Archives - My Otorrino</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da Otorrinolaringologia e Otoneurologia e outros profissionais de saúde.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 12 May 2026 10:34:58 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Opinião Archives - My Otorrino</title>
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	<item>
		<title>Portugal adota novo questionário europeu que melhora a avaliação clínica do acufeno desde a primeira consulta</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/portugal-adota-novo-questionario-europeu-que-melhora-a-avaliacao-clinica-do-acufeno-desde-a-primeira-consulta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 11:12:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vasco Oliveira, audiologista no Hospital das Forças Armadas (Porto) e no Hospital CUF Trindade, e vice-presidente da Associação Portuguesa de Audiologia (APtA), sublinhou a relevância do lançamento da versão portuguesa do European School for Interdisciplinary Tinnitus Research Screening Questionnaire (ESIT-SQ), um instrumento desenvolvido no contexto da investigação europeia sobre o acufeno e a sua abordagem [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vasco Oliveira</strong>, audiologista no Hospital das Forças Armadas (Porto) e no Hospital CUF Trindade, e vice-presidente da Associação Portuguesa de Audiologia (APtA), sublinhou a relevância do lançamento da versão portuguesa do <em>European School for Interdisciplinary Tinnitus Research Screening Questionnaire</em> (ESIT-SQ), um instrumento desenvolvido no contexto da investigação europeia sobre o acufeno e a sua abordagem interdisciplinar. O especialista destacou que esta ferramenta representa um avanço significativo na uniformização da avaliação clínica do acufeno em Portugal, ao permitir uma abordagem estruturada, rápida e clinicamente orientada logo na fase inicial de contacto com o doente. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma forma de tornar mais objetiva e mensurável a avaliação de um determinado sintoma, condição patológica e dos comportamentos a ela associados consiste na utilização de escalas ou questionários de avaliação. Amplamente empregues no âmbito da avaliação psicológica e da Qualidade de Vida, estes instrumentos têm vindo a assumir um papel relevante também noutras áreas da saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os questionários ou escalas permitem uma recolha sistemática de informação, contribuindo para a determinação da incidência de doenças, a identificação de fatores etiológicos, a análise da qualidade de vida e a previsão de determinados padrões comportamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A relevância dos questionários na abordagem dos acufenos decorre, antes de mais, da inexistência de um teste objetivo e preciso que permita determinar a sua etiologia, bem como da necessidade de recolher uma história clínica detalhada e fidedigna, baseada na informação fornecida pelo próprio paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O European School for Interdisciplinary Tinnitus Research Screening Questionnaire (ESIT-SQ) é um instrumento desenvolvido no contexto da European School for Interdisciplinary Tinnitus Research com o objetivo de padronizar a recolha de informação sobre pessoas com acufenos (tinnitus), sobretudo em investigação científica e contextos clínicos iniciais, permitindo uma sistematização mais estruturada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ESIT-SQ funciona como um questionário de triagem (screening) e apresenta várias utilidades importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em primeiro lugar, permite a caracterização inicial do doente, possibilitando obter uma visão geral rápida sobre a presença e o tipo de acufenos, a sua duração (agudo <em>versus </em>crónico), a lateralidade (se afetam um ouvido ou ambos) e ainda a intensidade e frequência percebidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em segundo lugar, contribui para a identificação do impacto do acufeno. Inclui questões que ajudam a perceber o grau de incómodo, a interferência no sono, na concentração e na vida diária, bem como o impacto emocional. Esta informação é útil para avaliar se são necessários instrumentos mais detalhados, como o <em>Tinnitus Handicap Inventory</em> (THI).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, é amplamente utilizado na triagem para investigação científica, uma vez que permite uniformizar dados entre diferentes países e centros, facilita a comparação de resultados e possibilita a seleção de participantes com critérios específicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O questionário também é importante na identificação de fatores associados, recolhendo dados sobre exposição ao ruído, problemas auditivos associados, condições médicas relevantes e aspetos relacionados com o estilo de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, serve como base para encaminhamento clínico, permitindo, de forma mais objetiva, decidir se o doente necessita de uma avaliação audiológica mais aprofundada, de acordo com as características das suas queixas, e se deve ser encaminhado para apoio psicológico ou para outras especialidades médicas, como a Neurologia ou a Medicina Dentária, entre outras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente à versão para português europeu, esta demonstrou boa validade de face e de conteúdo, foi compreensível e culturalmente apropriado, confirmando a sua validade como ferramenta para o rastreio e avaliação do zumbido e sintomas a ele associados na população portuguesa. Além disso, a concordância teste-reteste, as medidas de consistência interna e a validade convergente observadas com os itens do THI reforçam sua confiabilidade e adequação psicométrica. Portanto, o ESIT-SQ-PT permitirá uma recolha robusta de dados epidemiológicos e clínicos em amostras da população portuguesa e possibilitará uma comparação significativa com conjuntos de dados obtidos em outros países utilizando as versões validadas correspondentes do ESIT-SQ.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, o ESIT-SQ é útil porque permite realizar uma triagem rápida e estruturada, ajuda a padronizar a investigação em acufenos, identifica o impacto e possíveis causas associadas e serve de base para avaliações mais detalhadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leia o artigo original <a href="https://www.mdpi.com/2039-4349/16/1/2" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
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		<item>
		<title>Os desafios de introduzir os aparelhos auditivos OTC em Portugal</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/os-desafios-de-introduzir-os-aparelhos-auditivos-otc-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Feb 2026 10:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“A Audiologia é uma área de saber que não só corrige perdas auditivas, mas também promove a inclusão, a autonomia e a qualidade de vida”, referiu Ana Ramos Teixeira, audiologista. Neste artigo de opinião, a especialista em saúde auditiva reflete sobre os desafios de introduzir os aparelhos auditivos OTC (over-the-counter) em Portugal. Leia o artigo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“A Audiologia é uma área de saber que não só corrige perdas auditivas, mas também promove a inclusão, a autonomia e a qualidade de vida”, referiu <strong>Ana Ramos Teixeira</strong>, audiologista. Neste artigo de opinião, a especialista em saúde auditiva reflete sobre os desafios de introduzir os aparelhos auditivos OTC (<em>over-the-counter</em>) em Portugal. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução dos aparelhos auditivos OTC em Portugal constitui um desafio complexo, que exige não apenas atenção às questões técnicas e de acessibilidade económica aos cuidados auditivos, mas também uma reflexão ética contínua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, a regulamentação dos aparelhos auditivos é regida pelo facto de serem considerados dispositivos médicos e só podem ser comercializados aparelhos que cumpram a legislação europeia aplicável (Regulamento dos Dispositivos Médicos &#8211; RDM), sendo a sua prescrição e o processo de reabilitação auditiva iniciado por profissionais de saúde credenciados, assim, parece-me que os aparelhos auditivos OTC terão de ser incluídos neste RDM, já que são classificados como dispositivos médicos, havendo que ponderar, no entanto, os moldes em que esta integração ocorrerá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O enquadramento regulatório português já faz uma distinção clara entre aparelhos auditivos (dispositivos médicos, fiscalizados pelo Infarmed, que requerem prescrição e adaptação individualizada) e amplificadores (PSAPs – equipamentos eletrónicos que não são dispositivos médicos, que se destinam a melhorar o som em situações específicas, numa pessoa com audição normal e são fiscalizados pela ASAE), pelo que a introdução dos OTCs exigirá um quadro legal claro em Portugal (e na Europa) para definir o seu enquadramento e a sua fiscalização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação aos desafios clínicos, penso que estarão centrados na eficácia da intervenção do audiologista e na qualidade dos cuidados, que dependerá da forma como a classe profissional vai encarar e abarcar este novo modelo. Os aparelhos auditivos OTC destinam-se a perdas auditivas ligeiras e até moderadas de grau I e o facto de que, sem uma avaliação audiológica formal, o utilizador poderá adquirir um dispositivo inadequado por autoavaliação incorreta do grau da sua perda auditiva ou, numa situação mais dramática, ignorar sinais de outras patologias otológicas é, talvez, a maior e mais imediata preocupação dos profissionais de saúde auditiva. Será fundamental, em primeiro lugar, assegurar juntos das entidades competentes que os aparelhos auditivos OTC comercializados em Portugal cumprem normas de segurança, e garantir que as informações do fabricante são completas, confiáveis e rigorosas. Caberá aos audiologistas acolher aqueles que optaram pelo modelo OTC e desenvolver serviços que possam colmatar algumas necessidades de referenciação, suporte e manutenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os desafios éticos emergem principalmente do conflito entre a filosofia tradicional da audiologia (centrada no paciente e baseada nos princípios da não maleficência e beneficência) e o modelo de mercado direto ao consumidor (baseado na autonomia e acessibilidade), já que a entrada dos OTC no mercado português representará uma mudança que prioriza o acesso rápido e o baixo custo, em detrimento da prestação de cuidados de saúde auditiva de excelência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que deverá ser alvo de reflexão e regulação também a privacidade de dados, já que estes dispositivos podem utilizar Inteligência Artificial e recolher um grande volume de dados de saúde, o que levanta sérias preocupações sobre a privacidade, a segurança e o armazenamento destes dados – será importante perceber quais os dados recolhidos, para que efeito e por quem serão acedidos, de forma a construir-se diretrizes claras para uma comercialização dos dispositivos que seja o mais transparente possível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe aos profissionais de saúde auditiva equilibrar os princípios da autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça na sua prática diária, promovendo cuidados auditivos centrados no doente, seguros, eficazes e éticos, garantindo, assim, que a inovação tecnológica se traduza em verdadeiro benefício social e clínico e não na capitalização de uma incapacidade. Não podemos esquecer-nos que a audição representa a ponte entre o indivíduo e o mundo, já que permite que estejamos em contato com vozes, sons, emoções e experiências. Preservar, restaurar e apoiar este sentido é, em última análise, preservar a dignidade humana e a conexão social de cada pessoa. A reflexão ética, aliada à competência técnica, garante que cada doente seja tratado como um ser humano completo, com história, necessidades e direitos, tornando os cuidados em saúde auditiva em geral, e a Audiologia em particular, uma área de saber que não só corrige perdas auditivas, mas também promove a inclusão, a autonomia e a qualidade de vida.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Da cura à qualidade de vida: o verdadeiro desafio no carcinoma da laringe</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/da-cura-a-qualidade-de-vida-o-verdadeiro-desafio-no-carcinoma-da-laringe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2026 11:33:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Marques Gomes, interno do último ano de Otorrinolaringologia na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, partilha a sua reflexão sobre como complicações como a fístula faringocutânea podem ter um impacto significativo na função, no bem-estar emocional e no quotidiano do doente. Entre a preservação da voz e a segurança oncológica, aborda a responsabilidade do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pedro Marques Gomes</strong>, interno do último ano de Otorrinolaringologia na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, partilha a sua reflexão sobre como complicações como a fístula faringocutânea podem ter um impacto significativo na função, no bem-estar emocional e no quotidiano do doente. Entre a preservação da voz e a segurança oncológica, aborda a responsabilidade do médico no acompanhamento, na prevenção e na gestão das sequelas, bem como a importância de decisões terapêuticas cada vez mais personalizadas e partilhadas. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No carcinoma da laringe, a obtenção de controlo oncológico constitui um objetivo inegociável. Contudo, na doença localmente avançada, em que a laringectomia total permanece, com frequência, a opção terapêutica mais segura, “curar” não esgota a responsabilidade clínica. O desfecho que verdadeiramente importa ao doente — e que deve orientar a prática médica contemporânea — integra a função, a autonomia e a reintegração social. A qualidade de vida não é um epílogo; deve ser considerada parte integrante do tratamento, desde a definição da estratégia terapêutica até ao seguimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as complicações pós-operatórias, a fístula faringocutânea (FFC) assume especial relevância pelo seu impacto clínico e humano. Trata-se de uma comunicação patológica entre a neofaringe e a pele cervical, com extravasamento de saliva e conteúdo alimentar para o exterior. Além de aumentar a morbilidade, prolongar o internamento e exigir cuidados locais intensivos, a FFC condiciona de forma significativa a reintrodução da via oral, atrasa a reabilitação e pode comprometer o início oportuno de terapêuticas adjuvantes quando estas são indicadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A FFC pode transformar um pós-operatório expectável num percurso prolongado e desgastante. Adia a recuperação da deglutição, dificulta a adaptação ao traqueostoma e interfere com a reabilitação da comunicação, seja por prótese traqueoesofágica, eletrolaringe ou treino de voz esofágica. O impacto psicológico é, muitas vezes, subestimado: a perceção de “falha” da cicatrização, o constrangimento associado ao odor e ao exsudado, o receio de infeção e a tendência para o isolamento social comprometem o bem-estar e a adesão ao processo de reabilitação. Neste contexto, a FFC é mais do que um evento técnico; é um determinante de qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência clínica disponível reforça que o risco de FFC é multifatorial e depende, em grande medida, da extensão da resseção cirúrgica e da condição do doente. Em séries retrospetivas nacionais tem sido enfatizada a relevância do envolvimento faríngeo pelo tumor, por se associar a defeitos maiores, maior tensão no encerramento da neofaringe e necessidades reconstrutivas mais complexas, aumentando a probabilidade de deiscência e fistulização. Em paralelo, indicadores de fragilidade biológica — como défice nutricional, hipoalbuminemia e anemia — emergem como sinais úteis para identificar doentes com risco acrescido e para orientar uma vigilância mais apertada no pós-operatório precoce.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevenção efetiva da FFC começa antes do bloco operatório. A avaliação pré-operatória deve integrar estratificação de risco, identificação de défices nutricionais e correção de anemia sempre que clinicamente viável, bem como otimização de comorbilidade. Num doente frequentemente fragilizado por disfagia e perda ponderal, a intervenção nutricional precoce — em articulação com Nutrição clínica e terapia da fala — não é acessória: é terapêutica. O planeamento da via de alimentação (quando indicada), a otimização das necessidades nutricionais e a preparação do doente para o pós-operatório devem ser encarados como medidas de redução de risco e de proteção funcional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No intraoperatório, a estratégia reconstrutiva deve ser planeada com rigor, antecipando cenários de maior risco, sobretudo quando existe extensão tumoral à faringe. A seleção da técnica de encerramento, a manipulação tecidular atraumática, a minimização de tensão na sutura e a garantia de tecidos bem perfundidos são princípios basilares. Em doentes selecionados, a utilização de reforços com tecido vascularizado pode ser ponderada como medida de proteção, particularmente quando se antecipa risco elevado de deiscência. Estas decisões devem ser ponderadas pelo extensão local da doença, pela qualidade tecidular e pelo perfil global do doente, equilibrando segurança, complexidade e benefício esperado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No pós-operatório imediato, a vigilância deve ser proativa e estruturada. Alterações do estado local — aumento de exsudado, edema, eritema ou dor desproporcional — associadas a febre, alterações analíticas ou deterioração clínica devem motivar investigação dirigida e atuação precoce. Quando a FFC ocorre, a abordagem deve ser individualizada, ponderando dimensão do defeito, estado dos tecidos, presença de infeção e evolução clínica. Estratégias conservadoras podem ser adequadas em situações selecionadas, sustentadas por controlo de infeção, suporte nutricional, cuidados locais e dieta por sonda nasogástrica ou parentérica em casos seleccionados; noutros casos, a abordagem cirúrgica torna-se necessária para encerrar o defeito e restabelecer condições de cicatrização. Em qualquer cenário, o tempo é determinante: quanto mais cedo se estabiliza a situação, menor tende a ser o impacto no prognóstico, no percurso funcional e emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa sublinhar que a gestão do doente laringectomizado, e mais especificamente do doente com FFC, não se reduz à resolução anatómica da condição patológica. O doente deve ser acompanhado de forma multidisciplinar, com integração precoce de Enfermagem especializada, terapia da fala, Psicologia e, quando necessário, apoio social. A comunicação clínica deve ser clara, empática e orientada por objetivos, explicando o plano terapêutico, os passos de reabilitação e os marcos de recuperação. A decisão terapêutica, desde o diagnóstico do carcinoma da laringe, deve ser partilhada e centrada no doente: muitos valorizam, de forma legítima, a preservação da voz; porém deve ser reforçada que primeira prioridade é sempre a segurança oncológica. O papel do médico é assegurar que as opções são compreendidas, que as expectativas são realistas e que o plano de reabilitação é delineado desde o início, incluindo a prevenção e a gestão de sequelas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em síntese, no carcinoma da laringe, o verdadeiro desafio situa-se no espaço entre a cura e a vida que se segue. A fístula faringocutânea é um exemplo paradigmático de como uma complicação pós-operatória pode transformar o prognóstico funcional e emocional, exigindo uma medicina tecnicamente exigente e humanamente atenta. Prevenir, reconhecer precocemente e tratar de forma eficaz a FFC é, em última análise, proteger a dignidade do doente: garantir que o sucesso oncológico não é alcançado à custa de uma qualidade de vida evitavelmente comprometida.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Qual o papel do audiologista português na implementação dos aparelhos auditivos OTC?</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/qual-o-papel-do-audiologista-portugues-na-implementacao-dos-aparelhos-auditivos-otc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 09:20:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No seu artigo de opinião, a audiologista Ana Ramos Teixeira destaca o papel dos profissionais de audiologia na eventual chegada dos aparelhos auditivos OTC (over-the-counter) a Portugal. Embora ainda não disponíveis no país, estes dispositivos estão previstos para um futuro próximo. Confira a opinião completa. O papel do audiologista na integração dos aparelhos auditivos OTC [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No seu artigo de opinião, a audiologista <strong>Ana Ramos Teixeira</strong> destaca o papel dos profissionais de audiologia na eventual chegada dos aparelhos auditivos OTC (<em>over-the-counter</em>) a Portugal. Embora ainda não disponíveis no país, estes dispositivos estão previstos para um futuro próximo. Confira a opinião completa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O papel do audiologista na integração dos aparelhos auditivos OTC será fulcral, já que, a reabilitação auditiva é muito mais do que um aparelho auditivo, e um audiologista é um profissional de saúde cuja missão na sua comunidade transcende as funções de mero dispensador de aparelhos auditivos. Um audiologista “é o profissional que desenvolve as suas atividades no âmbito da prevenção e conservação da audição, do diagnóstico e da reabilitação auditiva, bem como no domínio da funcionalidade vestibular” (Decreto-Lei nº 320/99 de 11 de agosto).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação destes dispositivos deve motivar uma reflexão conjunta por parte da classe profissional de forma a existir uma atuação coordenada no diálogo com as entidades competentes que terão a responsabilidade de regular estes dispositivos (ajudando a estabelecer normas de segurança e qualidade muito específicas), mas também no diálogo com os pacientes e com a sociedade civil em geral – os audiologistas deverão contribuir para a literacia em saúde auditiva, desmistificando e esclarecendo conceitos como, por exemplo, qual a diferença entre os aparelhos auditivos OTC e os convencionais e quais as indicações e as limitações de uns e de outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A introdução dos OTC em Portugal é inevitável e será fundamental que o processo de implementação e regulação se traduza num modelo que garanta a integridade e a segurança do paciente, assegurando igualmente a sua autonomia e a sua dignidade – ao mesmo tempo que garanta a dignidade profissional e a manutenção da confiança depositada pela sociedade civil na profissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática clínica propriamente dita, penso que a inevitabilidade da chegada dos OTCs trará novas responsabilidades aos audiologistas que atuam em Portugal. Se, por um lado, nos EUA um dos critérios para a classificação destes dispositivos é a ausência de envolvimento profissional no processo, penso que os audiologistas não poderão nunca mostrar-se indisponíveis para pacientes que os procurem após adquirirem um aparelho auditivo OTC – o audiologista poderá funcionar como um recurso de apoio para esses indíviduos que optam pelo modelo OTC, no que toca a expectativas e na orientação de pacientes cuja avaliação possa indicar a existência de outras patologias que exijam cuidados médicos. Podemos dizer que os OTCs podem funcionar como um primeiro contacto destes pacientes com a realidade da reabilitação auditiva, podendo os audiologistas incorporar, quiçá, estes dispositivos na sua prática clínica, oferecendo-os como um ponto de entrada económico e acessível para pacientes com perda auditiva ligeira a moderada de grau I, mantendo sempre o foco nas melhores práticas e na excelência dos cuidados audiológicos que pode e deve prestar à sua comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Venda livre de aparelhos auditivos: perceção dos profissionais em foco</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/venda-livre-de-aparelhos-auditivos-percecao-dos-profissionais-em-foco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2026 10:16:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myotorrino.pt/?p=214142</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Ramos Teixeira, audiologista, explora neste artigo de opinião a perceção dos profissionais de saúde auditiva sobre os aparelhos auditivos OTC (over-the-counter). Embora estes dispositivos ainda não estejam disponíveis em Portugal, a sua implementação é esperada num futuro próximo. Leia o artigo de opinião. Embora os aparelhos auditivos OTC constituam, por enquanto, uma realidade ainda [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ana Ramos Teixeira</strong>, audiologista, explora neste artigo de opinião a perceção dos profissionais de saúde auditiva sobre os aparelhos auditivos OTC (<em>over-the-counter</em>). Embora estes dispositivos ainda não estejam disponíveis em Portugal, a sua implementação é esperada num futuro próximo. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os aparelhos auditivos OTC constituam, por enquanto, uma realidade ainda inexistente em Portugal, a sua implementação é expectável num futuro mais ou menos próximo. No estudo que realizei “A perspetiva dos profissionais de saúde auditiva sobre aparelhos auditivos OTC em Portugal: Análise do fenómeno e reflexão bioética”, em contexto de dissertação de Mestrado, verificou-se que os profissionais de saúde auditiva manifestam uma atitude francamente neutra face à sua autoperceção de conhecimentos sobre estes dispositivos, o que demonstra alguma reserva sobre a qualidade e a quantidade de informação a que estes profissionais acederam acerca deste assunto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Verifica-se que os profissionais de saúde auditiva são unânimes de que, embora o acesso justo seja uma necessidade urgente em Portugal, a perspetiva de que os OTCs podem contribuir para um acesso mais generalizado à reabilitação auditiva é neutra. Para além disto, há uma perceção que os aparelhos auditivos OTC ameaçam a segurança clínica e a qualidade dos cuidados, sendo encarados, igualmente, como um fator de risco para a descredibilização do trabalho destes profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente às preocupações éticas de segurança e eficácia clínica, a perceção negativa é moldada por uma preocupação ética em equilibrar a autonomia do paciente com a segurança e a eficácia clínica dos dispositivos, já que o foco da atuação dos profissionais é a promoção da melhor qualidade de vida e a prevenção de danos. De facto, os receios e os dilemas destes profissionais são moldados pelos seus valores éticos e deontológicos (já que, em Portugal, a Bioética é uma matéria obrigatória que faz parte da sua formação académica, independentemente da profissão e do estabelecimento de ensino) e traduzem-se numa perspetiva positiva face à possibilidade da pessoa com perda auditiva adquirir um aparelho auditivo que não é totalmente adequado ao seu perfil audiológico, por motivos económicos, por oposição a não ter acesso a qualquer aparelho auditivo (já que, ainda assim, existe a intervenção e o apoio profissional ao longo do processo); por outro lado, ao introduzir os OTC como opção de reabilitação, uma percentagem muito expressiva de participantes (63,5%) optam pela preferência ou neutralidade de opinião em relação à possibilidade de uma pessoa com perda auditiva não fazer qualquer tipo de reabilitação auditiva em contraposição a utilizar um aparelho auditivo OTC (mesmo que o dispositivo cumpra as indicações). As preocupações dos profissionais de saúde auditiva em Portugal, em relação aos OTCs, incluem ainda: risco significativo para a segurança, incapacidade de prever com precisão a perda auditiva, menor benefício comparativamente aos aparelhos auditivos convencionais, e perda de sinais de alerta médicos (como infeções ou outras patologias).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de os OTCs promoverem a autonomia do paciente, os profissionais expressam descrença quanto à capacidade de autodeterminação da população portuguesa no contexto da reabilitação auditiva, verificando-se uma oposição à autogestão do processo de reabilitação auditiva (63,5% dos participantes discordam ou discordam totalmente da importância de uma pessoa com perda auditiva poder adquirir e programar autonomamente o seu aparelho auditivo OTC sem interferência profissional) e uma perceção de literacia digital insuficiente (os profissionais têm uma opinião expressiva quanto à descrença na capacidade e competência de um cidadão português com mais de 65 anos possuir literacia digital suficiente para efetuar as operações de programação e ajustes de aparelhos auditivos OTC através de <em>smartphones</em> e <em>tablets</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto às implicações que este modelo pode trazer à reabilitação auditiva, tal como ela é feita em Portugal, os profissionais de saúde auditiva encaram os aparelhos auditivos OTC como uma ameaça, já que a maioria (68,2%) dos participantes concorda ou concorda plenamente que os aparelhos auditivos OTC poderão colocar em causa o trabalho dos profissionais de saúde auditiva e 67,3% concorda ou concorda plenamente que os aparelhos auditivos OTC poderão descredibilizar a forma como é realizada a reabilitação auditiva em Portugal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo com esta aversão expressiva e multifatorial ao modelo OTC, os profissionais reconhecem, contudo, que o sistema atual em Portugal apresenta falhas nas questões de equidade de acesso e acessibilidade, verificando-se uma unanimidade nos profissionais (96,2% de concordância) de que deveria garantir-se um acesso mais universal aos aparelhos auditivos, de forma justa e equitativa e a maioria dos participantes discorda de que o preço dos aparelhos auditivos em Portugal seja realista e justo face ao custo de fabrico ou face ao nível de vida de um cidadão comum português.<strong><u></u></strong></p>
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		<title>O papel da IA na cirurgia endoscópica da base anterior do crânio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jul 2025 17:43:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir do artigo “Surgical outcome of endoscopic endonasal repair of anterior skull base cerebrospinal fluid leaks in a tertiary center”, publicado na Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia &#8211; Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a primeira autora Joana Ramos Guincho, otorrinolaringologista na ULS Lisboa Ocidental, reflete sobre a evolução da cirurgia endoscópica e o papel emergente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A partir do artigo “Surgical outcome of endoscopic endonasal repair of anterior skull base cerebrospinal fluid leaks in a tertiary center”, publicado na Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia &#8211; Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a primeira autora <strong>Joana Ramos Guincho</strong>, otorrinolaringologista na ULS Lisboa Ocidental, reflete sobre a evolução da cirurgia endoscópica e o papel emergente da inteligência artificial (IA), destacando os seus principais benefícios e desafios. Leia o artigo de opinião.</p>
<p><span id="more-213821"></span></p>
<p>A cirurgia da base anterior do crânio apresenta desafios consideráveis dada a sua anatomia complexa, proximidade de estruturas críticas e acesso cirúrgico limitado. A complexidade destas cirurgias implica a colaboração estreita entre neurocirurgiões e otorrinolaringologistas, cuja atuação integrada é determinante para alcançar resultados cirúrgicos seguros e eficazes. [1,2,3]</p>
<p>O planeamento cirúrgico, muitas vezes baseado na experiência individual e na interpretação de exames de imagem, pode ser moroso e variável. Neste contexto, a IA surge como uma ferramenta inovadora, com potencial para aumentar a precisão, melhorar os resultados clínicos e apoiar uma tomada de decisão mais informada e eficiente. [1,2] Alguns exemplos práticos de aplicação da IA na cirurgia endoscópica da base anterior do crânio incluem sistemas de segmentação automática de tumores e estruturas anatómicas em exames de RM e TC, que facilitam a visualização e delineamento das margens tumorais. Por outro lado, algoritmos de deep learning são capazes de identificar com alta precisão o perímetro de meningiomas e adenomas hipofisários, permitindo um planeamento cirúrgico personalizado e reduzindo o risco de lesão de estruturas críticas adjacentes, como os nervos ópticos e os vasos carotídeos.</p>
<p>Outro avanço recente na aplicação da IA na cirurgia endoscópica da base anterior do crânio foi o desenvolvimento de um algoritmo de redes neurais convolucionais para identificar a localização da artéria etmoidal anterior em TC dos seios paranasais. Este modelo distingue com precisão se a artéria está ou não no teto etmoidal, com uma precisão superior a 80%, permitindo um mapeamento anatómico mais preciso, essencial para evitar lesões vasculares durante procedimentos endoscópicos. [4,5]</p>
<p>No decorrer da cirurgia, a IA pode desempenhar um papel fundamental, especialmente quando integrada nos sistemas de neuronavegação. Ao contrário dos sistemas convencionais, que se baseiam apenas em imagens pré-operatórias estáticas, muitas vezes desatualizadas face a alterações intraoperatórias, a IA permite atualizações dinâmicas e em tempo real. Ao integrar dados em tempo real, a IA melhora significativamente a precisão cirúrgica, facilita a identificação de landmarks anatómicos e auxilia na orientação dentro dos corredores endoscópicos estreitos da base do crânio, contribuindo para a prevenção de complicações como fístulas de líquido cefalorraquidiano ou lesões vasculares. Adicionalmente, algumas soluções incorporam análise de imagens intraoperatórias que distinguem tecidos tumorais de tecido saudável, otimizando a radicalidade da resseção e minimizando riscos. Estas tecnologias, já testadas em centros de referência, têm demonstrado redução do tempo operatório e aumento da segurança do procedimento. [1,2,]</p>
<p>Outra das aplicações mais inovadoras da IA é o desenvolvimento de simulações virtuais que permitem aos cirurgiões praticar e aperfeiçoar as suas competências cirúrgicas num ambiente livre de riscos. Ao contrário do treino cirúrgico tradicional, que depende da experiência direta em doentes reais, estas simulações virtuais baseadas em IA reproduzem cenários altamente realistas, apoiados em dados anatómicos e casos clínicos reais. [2,3]</p>
<p>Apesar do enorme potencial, um dos principais obstáculos à implementação da IA na área da saúde é a aprovação regulamentar, que exige testes rigorosos para garantir a segurança e eficácia dos sistemas antes da sua adoção. Além disso, as questões éticas são fundamentais, incluindo a proteção de dados, o risco de viés nos algoritmos e a responsabilização pelas decisões tomadas pela IA. É essencial definir quadros éticos claros que regulem a utilização da IA na área da saúde, assegurando sempre a autonomia e o bem-estar dos doentes. [1,2]</p>
<p>Apesar dos avanços promissores, é essencial reconhecer que a IA não substitui o juízo clínico nem a experiência do cirurgião, mas deve ser vista como uma ferramenta complementar. A sua eficácia depende não só da qualidade dos algoritmos, mas também da forma como são integrados na prática clínica e interpretados pelos profissionais de saúde. A adoção da IA na cirurgia da base do crânio exige um equilíbrio cuidadoso entre inovação tecnológica, ética médica e formação contínua das equipas cirúrgicas. Só assim será possível garantir que esta tecnologia contribui efetivamente para melhores resultados clínicos, sem comprometer a segurança e a dignidade dos doentes.</p>
<p>Referências bibliográficas:</p>
<p>1. Codex Y. Artificial Intelligence in Guiding Surgical Decision-Making during Endonasal Skull Base Surgery: A Comprehensive Review. Yubetsu Codex Medicine &amp; physiology. 2023;1(4). <a href="https://codex.yubetsu.com/article/c2b5dadab53b4ade85f0cba4f71b59bf">https://codex.yubetsu.com/article/c2b5dadab53b4ade85f0cba4f71b59bf</a><br />2. Upreti G. Advancements in Skull Base Surgery: Navigating Complex Challenges with Artificial Intelligence. Indian J Otolaryngol Head Neck Surg. 2024;76(2):2184-2190. doi:10.1007/s12070-023-04415-8<br />3. Isikay I, Cekic E, Baylarov B, Tunc O, Hanalioglu S. Narrative review of patient-specific 3D visualization and reality technologies in skull base neurosurgery: enhancements in surgical training, planning, and navigation. Front Surg. 2024;11:1427844. Published 2024 Jul 16. doi:10.3389/fsurg.2024.1427844<br />4. Chen H, Li S, Zhang Y, et al. Deep learning-based automatic segmentation of meningioma from multiparametric MRI for preoperative meningioma differentiation using radiomic features: a multicentre study. Eur Radiol. 2022;32(10):7248-7259. doi:10.1007/s00330-022-08749-9<br />5. Huang J, Habib AR, Mendis D, et al. An artificial intelligence algorithm that differentiates anterior ethmoidal artery location on sinus computed tomography scans. J Laryngol Otol. 2020;134(1):52-55. doi:10.1017/S0022215119002536</p>
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		<title>Neoadjuvância no cancro da cabeça e pescoço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2025 11:48:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da autoria de Ana Raquel Monteiro, médica na Unidade Local de Saúde (ULS) Gaia e Espinho, sobre o tratamento sistémico neoadjuvante no cancro da cabeça e pescoço. &#8220;Assim, embora ainda em fase de investigação, a neoadjuvância no cancro da cabeça e pescoço poderá no futuro vir a desempenhar um papel mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da autoria de Ana Raquel Monteiro, médica na Unidade Local de Saúde (ULS) Gaia e Espinho, sobre o tratamento sistémico neoadjuvante no cancro da cabeça e pescoço. &#8220;Assim, embora ainda em fase de investigação, a neoadjuvância no cancro da cabeça e pescoço poderá no futuro vir a desempenhar um papel mais relevante, contribuindo para melhorar o controlo da doença e alguns outcomes funcionais&#8221;, reflete.</p>
<p><span id="more-213780"></span></p>
<p>O tratamento sistémico neoadjuvante no cancro da cabeça e pescoço, administrado antes da cirurgia, tem tido até agora um papel marginal e não é considerado uma abordagem terapêutica standard. No entanto, ao longo das últimas décadas, têm sido realizados diversos esforços para avaliar o seu potencial em contextos específicos, particularmente em doentes com tumores localmente avançados ou borderline ressecáveis. Entre 1990 e 2015, a quimioterapia neoadjuvante com esquemas como TPF (docetaxel, cisplatina e 5-FU) foi estudada maioritariamente em ensaios de fase 2 e 3, com foco em tumores da cavidade oral.</p>
<p>Embora os estudos não tenham demonstrado benefício em termos de sobrevivência global, observaram- -se possíveis ganhos funcionais, sem comprometer a morbilidade perioperatória. A toxicidade significativa e a ausência de impacto na sobrevivência limitaram a adoção desta estratégia, que  permanece reservada a casos muito selecionados. Mais recentemente, desde 2015, a imunoterapia surgiu como uma abordagem promissora, explorada em múltiplos ensaios clínicos, sobretudo de fase 2, e já não estando limitada a tumores da cavidade oral.</p>
<p>Protocolos com um a dois ciclos agentes de imunoterapia antes da cirurgia, com ou sem manutenção do mesmo em contexto adjuvante, mostraram taxas de resposta objetiva entre 30 % e 70 %, e resultados encorajadores em termos de sobrevivência livre de recorrência e sobrevivência global quando comparado com dados históricos, com toxicidade globalmente manejável<sup>1,2</sup>. O futuro próximo será marcado por uma intensificação da investigação clínica, com múltiplos ensaios a explorar combinações de  imunoterapia com quimioterapia ou outros agentes.</p>
<p>Um dos estudos mais aguardados neste contexto é o ensaio de fase 3 KEYNOTE-689, que avalia o papel do pembrolizumab como parte de um regime perioperatório — iniciado antes da cirurgia e mantido em adjuvância — em doentes com carcinoma epidermóide localmente avançado da cabeça e pescoço ressecável. Segundo um press release recente, o estudo atingiu o seu endpoint primário de sobrevivência livre de eventos, podendo assim vir a representar um avanço na integração da imunoterapia em fases mais precoces do tratamento<sup>3</sup>.</p>
<p>Assim, embora ainda em fase de investigação, a neoadjuvância no cancro da cabeça e pescoço poderá no futuro vir a desempenhar um papel mais relevante, contribuindo para melhorar o controlo da doença e alguns outcomes funcionais.</p>
<p>O artigo foi redigido para o <a href="https://publicacoes.newsfarma.pt/wp-content/uploads/2025/04/Jornal-Encontros-Primavera-2025_2.pdf" target="_blank" rel="noopener">Jornal dos Encontros da Primavera</a>.</p>
<p><strong><span style="font-size: 8pt;">Referências:</span></strong></p>
<p><span style="font-size: 8pt;"> 1. Schoenfeld JD, Hanna GJ, Jo VY, et al. Neoadjuvant Nivolumab or Nivolumab Plus Ipilimumab in Untreated Oral Cavity Squamous Cell Carcinoma: A Phase </span></p>
<p><span style="font-size: 8pt;">2 Open-Label Randomized Clinical Trial. JAMA Oncol. 2020 Oct 1;6(10):1563-1570; 2. Uppaluri R et al. Neoadjuvant and Adjuvant Pembrolizumab in Resectable Locally Advanced, Human Papillomavirus-Unrelated Head and Neck Cancer: A Multicenter, Phase II Trial. Clin Cancer Res. 2020 Oct 1;26(19):5140-5152. doi: 10.1158/1078-0432.CCR-20-1695. Epub 2020 Jul 14. Erratum in: Clin Cancer Res. 2021 Jan 1;27(1):357; </span></p>
<p><span style="font-size: 8pt;">3. <a href="https://www.merck.com/news/">https://www.merck.com/news/</a> mercks-keytruda-pembrolizumab-met-primary-endpoint-of-event-free-survival-efs-as-perioperative-treatment-regimen-in-patients-with-resected-locally-advanced-head-and-neck-squamous-c/ </span></p>
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		<item>
		<title>O papel da inteligência artificial na avaliação vestibular</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/o-papel-da-inteligencia-artificial-na-avaliacao-vestibular/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Feb 2024 11:10:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia a visão de Ana Margarida Simões, do Hospital Distrital de Santarém, sobre o estado da arte da avaliação vestibular e a forma como a inteligência artificial pode alterar o paradigma clínico. Na sequência do artigo anterior “The Pupillary (Hippus) Nystagmus”, onde se evocava a terminologia hipocátrica e galénica, o artigo “Historical descriptions of nystagmus [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leia a visão de <strong>Ana Margarida Simões</strong>, do Hospital Distrital de Santarém, sobre o estado da arte da avaliação vestibular e a forma como a inteligência artificial pode alterar o paradigma clínico.</p>
<p><span id="more-213611"></span></p>
<p>Na sequência do artigo anterior “The Pupillary (Hippus) Nystagmus”, onde se evocava a terminologia hipocátrica e galénica, o artigo “Historical descriptions of nystagmus and abnormal involuntary eye movements in various ancient cultures” viaja pelas mais antigas descrições compatíveis com movimentos oculares involuntários; examinando textos médicos antigos que possam ser compatíveis com nistagmo, faz um percurso temporal, desde segundo milénio AC até ao século nono DC, e territorial desde a Mesopotâmia, Egito, Índia, Grécia, Roma e China e Médio Oriente, O termo Hippos remonta a Hippocrates, mais tarde citado por Galeno, e representava um estado em que os olhos estavam em constante desassossego.</p>
<p>A consulta de textos médicos originais e traduções especializadas, sugerem que o reconhecimento e a descrição de movimentos oculares involuntários foram generalizados nas várias culturas antigas, indicando uma consciência efectiva deste sintoma neurológico. No entanto, clama-se prudência ao tentar o paralelismo das descrições antigas com as entidades patológicas contemporâneas, à luz do conhecimento clínico-científico actual.Gerb J, Brandt T, Huppert D. Historical descriptions of nystagmus and abnormal involuntary eye movements in various ancient cultures. Sci Prog. 2023 Jul-Sep;106(3):368504231191986. doi: 10.1177/00368504231191986. PMID: 37642983; PMCID: PMC10469245.</p>
<p>Num outro extremo espectral, o Estado da Arte encaminha-se para a incorporação da inteligência artificial nos processos de decisão e diagnóstico médico. Este artigo “A nystagmus extraction system using artificial intelligence for video-nystagmography” discute o desenvolvimento de um dispositivo para melhorar/automatizar o diagnóstico da VPPB através de uma rede neural convolucional que se aplica ao processamento e análise de imagens digitais para extracção de nistagmos e seus padrões, a partir da videonistagmografia e da detecção pupilar (eye-tracking).</p>
<p>O referido dispositivo associa um algoritmo de detecção de deslizamento com o potencial para retirar artefactos de movimento dos óculos. Pese a relatada necessidade de mais pesquisas e validação com dados externos, e o facto do conjunto de dados gerados e analisados durante o estudo não estarem disponíveis publicamente devido a questões de protecção de dados, este será apenas um exemplo do futuro da Medicina e em concreto da otoneurologia. Lee Y, Lee S, Han J, Seo YJ, Yang S. A nystagmus extraction system using artificial intelligence for video-nystagmography. Sci Rep. 2023 Jul 24;13(1):11975. doi: 10.1038/s41598-023-39104-7. Erratum in: Sci Rep. 2023 Sep 5;13(1):14616. PMID: 37488184; PMCID: PMC10366077.</p>
<p><span style="font-size: 8pt;">Fonte: Associação Portuguesa de Otoneurologia (APO)</span></p>
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		<title>A surdez e o mercado de trabalho</title>
		<link>https://myotorrino.pt/opiniao/a-surdez-e-o-mercado-de-trabalho-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Apr 2023 09:20:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O acesso ao mercado de trabalho dos doentes com surdez é uma realidade com inúmeros desafios. O Eng. António Ricardo Miranda, da Associação OUVIR, partilha algumas recomendações e informações que devem ser transmitidas aos doentes, sobre esta realidade. Leia o artigo de opinião. São enormes os desafios que nos suscitam, não seria preciso falar somente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O acesso ao mercado de trabalho dos doentes com surdez é uma realidade com inúmeros desafios. O <strong>Eng. António Ricardo Miranda</strong>, da Associação OUVIR, partilha algumas recomendações e informações que devem ser transmitidas aos doentes, sobre esta realidade. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><span style="color: initial; font-size: revert;">São enormes os desafios que nos suscitam, não seria preciso falar somente em relação às pessoas com deficiência auditiva, mas também para a generalidade das pessoas com deficiências. Um desses desafios é sem dúvida o mercado laboral, no qual as pessoas com deficiência auditiva ainda encontram muitas barreiras.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cremos que o grande problema da sociedade civil global é entender que a perda auditiva é uma deficiência invisível, e ao contrário do que se refere normalmente, não interessa apenas falar mais alto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A deficiência auditiva tem de ser tratada, tem de ser acompanhada e exige reabilitação. E como noutras deficiências, é necessária uma acessibilidade adequada. Na verdade, discute-se as formas de como persuadir o empregador ou o recrutador a escolher uma pessoa com uma deficiência em detrimento de uma pessoa sem deficiência. E isso é recorrente, e muitas vezes injusto. Num processo de recrutamento, as pessoas com deficiência(s) estão em menor número, e ainda por cima, partem em desvantagem por terem exatamente a(s) sua(s) incapacidade(s).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um processo de recrutamento exige uma entrevista, e antes disso, o candidato envia o seu CV, e começa aqui a incerteza e a insegurança. Por mais válida que seja a pessoa com deficiência e que esta pretenda concorrer, expor à partida a deficiência no CV (seja ela auditiva, ou outra), pode ser alvo de discriminação ou exclusão por parte de quem está a selecionar</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, vêem-se imensas campanhas e mensagens alusivas a este dogma, mas sendo ele/a recrutador ou empregador, quando tem um leque de candidatos, com e sem deficiência(s), como exigir que as pessoas com deficiência partem de igual modo? Para além disso, uma pessoa com surdez tem dificuldades em ouvir ao telefone, acompanhar uma conversa (sendo esta, online ou presencial), e logo de início parte em desvantagem perante os restantes candidatos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem atualmente as chamadas quotas, que requerem que a empresa seja sensibilizada a contratar “algumas” pessoas com deficiência. Também existem medidas de incentivo à contratação de pessoas com deficiência, em que a empresa pode obter partido de benefícios fiscais. No entanto, todas estas medidas têm sido ineficazes e insuficientes!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma pessoa com deficiência auditiva pretende ser contratada contando com determinados princípios e “handicaps”. Exigir uma responsabilidade de carácter comercial, por exemplo, pode ser de uma tremenda dificuldade. Mas poderíamos falar também em trabalhar numa fábrica ou prestar um serviço de atendimento ao público presencial. Assim como trabalhar em ruído num open-space, já o cúmulo seria trabalhar num call-center, como muitas vezes vemos anunciado. No entanto, a pessoa com deficiência auditiva é alguém que pode assumir funções de carácter mais técnico, de trabalho mais minucioso, que exige maior concentração, e rigor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois poderíamos ainda afirmar que em muitos empregos, a pessoa com deficiência ainda é vista como um “elemento escravo”, que é mal remunerado ou quando é selecionado o empregador muitas vezes exige que tenha uma remuneração inferior, no pressuposto que só nessa condição o possam escolher. E aqui, somos muito críticos, pois se uma pessoa sem deficiência é paga em determinado valor, o esforço requerido por uma pessoa com deficiência é muito maior, e por isso deveria ter uma compensação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pessoas com deficiência auditiva, necessitam de ter recursos ao seu dispor, usar tecnologias assistivas: quando têm reunião ou para comunicação oral necessitam de legendagem; ou de um sistema FM ou sistema de Bluetooth, que emita o que é referido para os próprios dispositivos de apoio à escuta (aparelho ou processador de implante auditivo). Os sinais visuais, como iluminação, ecrãs, informação visual, são muito importantes. Não nos esqueçamos, que quando uma pessoa tem uma deficiência sensorial, os restantes sentidos são mais apurados, e estes devem ser prevalecidos, como a visão em pessoas com deficiência auditiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos ensinamentos deste artigo, a questão continua a pairar no ar: o que temos de fazer para que uma pessoa com deficiência (seja ela auditiva, ou outra) seja contratada, e quais os benefícios que uma empresa pode ter em contratar uma pessoa com deficiência? Quais as medidas? E na mobilidade, se uma pessoa com deficiência quiser assumir um desafio no estrangeiro? Aqui residem muitas questões, e só podemos compreender que ainda há muito a fazer, apesar do tema da inclusão social ser cada vez mais debatido, e é neste tema que as entidades governamentais deverão focar-se mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É um problema na atualidade, que cada vez mais pessoas com deficiência encontram-se desempregadas à procura de uma oportunidade digna, e que lhes garanta o futuro, e com menos dependência do Estado. Mas existirá motivação e vontade para isso?&nbsp;&nbsp;</p>
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		<title>Imunoterapia no tratamento definitivo do cancro de cabeça e pescoço localmente avançado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 16:24:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da Dr.ª&#160;Leonor Pinto, do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, sobre a imunoterapia no tratamento definitivo da doença localmente avançada no cancro da cabeça e pescoço.&#160; Em Portugal, todos os anos são diagnosticados cerca de três mil novos casos de cancro de cabeça e pescoço, [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Leia o artigo de opinião da <strong>Dr.ª&nbsp;Leonor Pinto</strong>, do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, sobre a imunoterapia no tratamento definitivo da doença localmente avançada no cancro da cabeça e pescoço.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, todos os anos são diagnosticados cerca de três mil novos casos de cancro de cabeça e pescoço, representando o 7.º cancro mais comum na Europa. Cerca de 60 % dos doentes com cancro de cabeça e pescoço são diagnosticados numa fase avançada, pelo facto de a maioria dos sintomas serem frequentemente negligenciados pelo doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste sentido, o desafio passa por esclarecer a população para que saiba reconhecer os primeiros sinais e sintomas, como por exemplo a odinofagia, disfagia, disfonia, língua dorida e/ou manchas vermelhas ou brancas em toda a cavidade oral, congestão nasal ou sangramento oral ou adenopatias laterocervicais. Na verdade, são muitas as dimensões afetadas por este tipo de cancro, não apenas em termos físicos, mas também do foro psicológico e emocional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista físico, o impacto é importante precisamente por afetar funções como a fala, a mastigação, a deglutição ou a respiração. A alteração da imagem corporal, nomeadamente perda de peso decorrente da desnutrição, a dismorfia da face e do pescoço, assim como alteração dos sentidos, com especial incidência no paladar, olfato, audição e visão traduzem-se na maioria das vezes num ónus demasiado pesado para estes doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já em relação aos danos psicológicos/sociais, o cancro da cabeça e pescoço pode levar a comportamentos de isolamento social e dificuldade em abandonar os seus antigos hábitos toxicófilos. A complexidade e variabilidade das opções terapêuticas exigem uma abordagem por equipas multidisciplinares dedicadas e especializadas em centros com elevado número de casos, implicando na sua maioria um tratamento multimodal (radioterapia, cirurgia, quimioterapia, agentes biológicos e imunoterapia).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em qualquer plano de tratamento, o objetivo não é apenas remover o tumor, mas também preservar as funções das estruturas envolvidas na fala, na deglutição e na expressão. Enquanto muitos doentes com doença localmente avançada são curados com alguma combinação de cirurgia, radiação e quimioterapia, outros desenvolvem doença recorrente/metastática (R/M) e são considerados incuráveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A quimioterapia citotóxica tem eficácia limitada e toxicidade substancial no tratamento do HNSCC R/M, com uma sobrevivência global média inferior a um ano. Com o aparecimento de novas estratégias de tratamento, como as terapêuticas dirigidas e, mais recentemente, a imunoterapia, tornou-se possível obter ganhos de sobrevivência, mas também de qualidade de vida. A imunoterapia com inibidores de PD-1 revolucionou recentemente o tratamento deste tipo de carcinomas, principalmente os que se relacionam com o vírus do papiloma humano (HPV) e sem os efeitos laterais potencialmente devastadores dos tratamentos convencionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das principais vantagens da imunoterapia sobre outras formas de terapia sistémica é que as respostas podem ser bastante duradouras, com benefícios clínicos às vezes medidos em anos. Contudo, apenas uma minoria respondem à imunoterapia mantendo-se uma lacuna clara para a maioria. Desta forma, no contexto da doença recorrente ou metastática o futuro passa por abordagens combinadas de imunoterapia com quimioterapia e/ou radioterapia, bem como biomarcadores aprimorados para ajudar na seleção dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"> Artigo disponível <a href="https://publicacoes.newsfarma.pt/wp-content/uploads/2023/02/Jornal-Perspectivas-em-Oncologia-2023_9fevereiro23.pdf" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p>
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